quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Parto Normal ≠ Parto Humanizado



Por Carla Weyne, psicóloga, doula, educadora e mãe do Benki


Você sabe qual a diferença entre Parto Normal e Parto Humanizado?

Parto Normal é o termo utilizado para descrever o nascimento de um bebê que acontece pela via vaginal (em oposição à cirurgia cesariana, na qual o nascimento acontece pela via abdominal). Esse termo não define o tipo de assistência ao parto oferecida, nem traduz como foi o processo do parto, apenas indica por onde o bebê nasceu. Na denominação Parto Normal cabem uma assistência respeitosa e aquela permeada por violência obstétrica, desde que ambas tenham resultado no nascimento do bebê pela vagina.

Hoje, a conduta predominante na assistência ao Parto Normal no Brasil se pauta em uma série padronizada de intervenções, de ordem farmacológica (ocitocina sintética, anestesia etc.) e mecânica (posição horizontal, rutura artificial da bolsa das águas, episiotomia, manobra de Kristeller etc.), realizada pelo profissional/equipe sem atender a nenhuma evidência dos benefícios da aplicação de cada procedimento, e na maioria das vezes sem consultar a gestante. Essa forma de assistência, além de aumentar desnecessariamente os riscos de complicações para mãe e bebê, colocam a mulher na condição de Objeto da assistência, da qual os sujeitos são os profissionais da equipe.
Parto Humanizado não é sinônimo de parto na água, parto em casa nem parto zen. O Parto Humanizado é a síntese da proposta de Humanização da Assistência ao Parto, que busca superar a dicotomia Parto Normal X Cesárea, ao oferecer uma assistência pautada:

1. em evidências científicas (a realização de cada procedimento é avaliada pesando-se riscos e benefícios, de acordo com estudos mais atuais;
2. no protagonismo da mulher (que assume a condição de Sujeito, ao opinar também sobre a realização dos procedimentos, assumindo a responsabilidade por suas escolhas);
3. em uma visão integral e singular do humano/da mulher (que inclui aspectos biológicos, emocionais, culturais, espirituais, sociais...);
4. na atuação de uma equipe multidisciplinar, com ênfase na participação da doula e predominância de enfermeiras obstetras e obstetrizes (parteiras profissionais) nos partos sem complicações.

O Parto Humanizado pode acontecer em casa ou num hospital do SUS, pode ser na água ou sobre uma esteira de palha, pode ser ao som de mantras ou de rap (ou samba, ou MPB, ou canto de passarinhos, ou qualquer outra trilha sonora ou mesmo sem nenhuma). O que define o Parto como Humanizado é o tipo de assistência que é oferecido pela equipe e pela instituição e a relação que se constrói entre estes e a gestante/família.

Diante dessas definições, percebemos que não basta “estimular o parto normal". Esse tipo de assistência também está falido, e muitas vezes acaba levando a cesáreas iatrogênicas. O que precisamos é de um novo paradigma de assistência ao parto, que compreenda o parto como um evento natural e fisiológico e toda mulher como um sujeito capaz de parir (mas também suscetível a patologias e sofrimentos psicológicos, claro). Esse é o ponto de partida do Paradigma da Humanização.

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